Inauguração: 14 de março às 18h
Patente até: 30 de abril, 2026
Local:  LAC – Laboratório de Actividades Criativas
Preço: Entrada livre

Sinopse

A exposição “Território de Contacto” reúne obras de Cruzes + Vargas que desenvolvem-se através de objetos e construções que evocam mobiliário, abrigo ou maquetas à escala real. São formas precárias e quase funcionais, que sugerem uso sem o cumprir plenamente. Nelas, o corpo está ausente, mas permanentemente implícito, convocado pela escala, pelo peso e pela instabilidade.

Colocadas em conjunto, estas obras não procuram uma síntese nem uma narrativa comum. O diálogo estabelece-se por proximidade e contraste: a figura encontra a estrutura, o corpo representado confronta-se com o objeto construído. Entre pintura e instalação abre-se um espaço intermédio onde cada obra altera a leitura da outra.

A exposição propõe assim um território de contacto, onde práticas diferentes se tocam sem se fundirem, convidando o visitante a perceber como o espaço, a matéria e a presença se constroem entre imagem, objeto e corpo.

Biografia

Ricardo Cruzes (1974, Portugal)

Nascido em Lagos, Ricardo Cruzes é um artista visual cuja trajetória reflete uma interseção invulgar entre pintura, design tecnológico e empreendedorismo. É licenciado em Pintura pela ARCA (Coimbra) e formou-se em Web Design na ETIC (Lisboa), tendo inicialmente desenvolvido carreira no mundo digital, criando duas empresas de design e software. Como diretor de design, desenvolveu projetos para marcas como a BP e o Banco Santander, e o website que criou para o Museu Nacional de Arqueologia foi distinguido com o 1.º lugar mundial pela UNESCO na categoria de Museus e Património.

Após a aquisição da sua startup, Proppy CRM, pela multinacional Casafari, Cruzes decidiu, em 2022, dedicar-se exclusivamente à sua prática artística.

O seu trabalho recente habita a fricção entre o sublime e o grotesco, onde esperança e medo se entrelaçam num campo ambíguo de contaminações e deslocamentos. Através da cor, do desenho e da escala, Cruzes aborda temas complexos como a saúde mental, as máscaras sociais e a violência literal, simbólica, estrutural, íntima e histórica.

Na sua metodologia recorre frequentemente a arquivos fotográficos familiares e públicos: imagens de desconhecidos ou de memórias distantes servem de gatilho para a criação de cenas nas quais a moralidade se revela flexível e as relações humanas são dissecadas na sua transversalidade.

Artista residente e co-curador no LAC (Laboratório de Actividades Criativas, Lagos), Cruzes destaca-se pela sua forte abordagem colaborativa e transdisciplinar. Entre os seus projetos mais relevantes estão a colaboração Cruzes + Vargas (com o arquiteto Rui Vargas – Kuwait), Hyperactive Memory Ruins (com o escultor Joel Arantes – Noruega) e High Tide, Low Tide (com o fotógrafo Jason McGlade – Berlim). O seu currículo recente inclui exposições em instituições como o Centro Cultural de Lagos (Lagos), a Casa da Arquitectura (Porto) e a Skiens Kunstforening (Noruega).

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Rui Vargas

Rui Vargas é licenciado em Arquitectura. É artista residente do LAC, em Lagos, e da Gamarama, em Faro. A sua empresa actua maioritariamente no Kuwait e em Portugal, tendo delegações também no Algarve e em Lisboa.

Será Rui Vargas um arquitecto artista, ou um artista arquitecto? A questão impõe-se, pois é complexo — senão tarefa impossível — identificar, na sua obra artística e arquitectónica, uma linha de fronteira entre as duas actividades.

É precisamente nesse território indistinto que reside a engrenagem criativa que o leva a produzir arte e arquitectura de forma desprendida. Procura inspirações díspares: desde memórias arquitectónicas da sua infância, passando pela apropriação racional e interpretada dos mestres que admira, até à simplicidade expressiva, rápida e directa, que reconhece nas crianças — e em adultos como o próprio Rui.

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Fotografia: Lionel Estriga