Inauguração: 14 de fevereiro às 18h
Patente até: 28 de fevereiro, 2026
Local:  LAC – Laboratório de Actividades Criativas
Preço: Entrada livre

Parceria com a GNRation (Braga), no âmbito da RPAC – Rede Portuguesa de Arte Contemporânea

Sinopse

Homúnculo é uma instalação que integra escultura, pintura, vídeo-projecção e som, evocando a complexidade e a estranheza da materialidade do corpo no contexto pós-humano. Homúnculo é expressão de corpos não normativos — como os corpos-fronteira e os corpos ciborgue — situados entre o orgânico e o artificial, o visceral e o digital. O espaço da instalação é habitado por um conjunto de espécimens de epiderme sintética moldados em silicone pintada, criados a partir da amostragem, síntese e morphing de imagens da pele da artista. Estas superfícies texturadas, com efeito tátil e visual, são dispostas na parede como pinturas em relevo ou moldadas e cosidas de modo a ensaiar formas orgânicas tridimensionais, como corpos sem órgãos. Ambas, iluminadas pela projecção de imagem em movimento, convidam o espectador a aproximar-se, observar de perto, tocar, estender e manipular. A expressão plástica decorrente do diálogo entre estes elementos alude, por um lado, à estética do horror e, por outro, aos exercícios de especulação e extrapolação do universo da ficção científica. Homúnculo é um acto de conciliação com o corpo simbiótico e tecnológico, um convite à reflexão sobre o modo como tecnologias emergentes desafiam a nossa capacidade de imaginar outros modos de conceber o corpo humano num presente de tumulto, de guerra e de cataclismos climáticos.

Joana Pestana

Biografia

Dora Vieira é artista plástica e música, nascida em 1991, em Barcelos. Licenciou-se em Multimédia — Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes do Porto, cidade onde habitou durante sete anos e onde se iniciou na criação artística e musical, continuando a produzir activamente em ambas as áreas até ao presente. Em 2014, integrou o colectivo e editora portuense Favela Discos, trabalhando nas intersecções entre música exploratória, improvisação livre, performance, concerto, instalação, audiovisual e arte experimental. Paralelamente, enquanto viveu na cidade, produziu e fez curadoria de um grande número de eventos multidisciplinares. Em 2021, co-fundou o colectivo neo-surrealista Movimentos Bruxos, cujo trabalho foi exibido na exposição homónima, no mesmo ano, no Palácio Vila Flor, em Guimarães. Partilhou o seu trabalho artístico e musical em exposições individuais e colectivas, residências, eventos e festivais, em espaços auto-geridos e institucionais, dentro e fora do país. Em 2022, colaborou com o departamento artístico de uma produção cinematográfica, experiência que lhe permitiu adquirir conhecimentos sobre a criação de próteses para efeitos especiais. O seu trabalho comunica em linguagem simbólica, meditando sobre questões existencialistas e processos de auto-gnose. É influenciado por universos como a ficção científica, o body horror e a semiótica do sagrado, partindo de uma perspectiva ecuménica. Musicalmente, é membro do duo experimental Bezbog, do ensemble Milteto, trompetista em Amijas, e actua a solo como Moira.

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